Por que o forró pé de serra?
23/02/2016 11:48 em Editorial

Bem para iniciar esse blog resolvi falar de minha experiência com o forró. Porque estou tão envolvido?

Bem o que posso dizer é que devo muito a esse gênero que praticamente virou quase um estilo de vida.

Para quem não me conhece, sou um dos fundadores do evento intitulado “Forró Pé de Calçada” e graças a ele posso dizer que sou uma pessoa um pouco mais feliz.

Para explicar essa minha devoção ao pé de serra, preciso explicar como eu era.

Sou uma pessoa um pouco complicada, ainda não me conheço direito (hehe). Imagine como os outros me vêem?

Enfim, gosto de me definir como um artista, mesmo sendo um pouco ousado de minha parte, mas facilita muito com as coisas que faço e crio.

Minha formação é de ator, sim, fiz faculdade. E fora os milhões de cursos que fiz por ai. Graças isso me identifiquei11426700_515092558644796_1518948352464019808_ocom a linguagem do teatro popular, logo conhecia alguma coisa do universo musical deste gênero, mas passei muito longe do nosso forró.

Acabei do lembrar de meu pai, Seu Emilio Gomes, no qual foi muito responsável por boa parte da linguagem musical que tenho hoje. Acho que ele foi o grande culpado.

Meu pai ouvia em seu repertorio musicas caipiras, desde “Renato Teixeira”, “Pena Branca e Xavantinho” a “Zilo e Zalo”. Bem, cresci ouvindo isso e lógico conheci Luiz Gonzaga, mas não dei tanta atenção assim na época. Eu gostava mesmo de Nirvana, Ramones, The Smiths, Legião Urbana e tudo que tocava na 89.1 FM.

Gosto de CPM 22 também, mas isso não justifica meu nome ter “EMO”, então nada de piadas de que eu choro muito, cadê minha franja em cima do olho e mais alguma coisa sobre minha sexualidade, apesar que esses comentários não me afetam muito, mas vamos voltar ao assunto forró.

Passei a infância ouvindo no carro do meu pai esses clássicos da musica caipira, e juro, eu gostava, cantava quase todas as canções, o mais legal era as historias dentro de cada musica. Era como cantar faroeste cabloco, mas na versão das historias caipiras, pelo menos era minha sensação.

Cresci com esse repertorio, mas sem explorar muito. Então nunca fui muito preconceituoso com estilos musicais, além do sertanejo, que eu tinha birra, porque para mim sertanejo era os clássicos caipiras. E claro que eu achava ridículo aquelas calças jeans apertadas e camisetas “baby lock” no qual era nítido ver os mamilos saltados. Nem vou falar dos cabelos e seus penteados (Na verdade deve ser pura inveja minha por eu não ter tanto cabelo L).

Então nunca estaria naquele tipo de ambiente. Eu nem sabia que era possível dançar o “sertanejo”, (que inclusive, eu para dançar era péssimo, parecia que nasci com dois pés esquerdos, culpa de meu pai, que anda igual o mazzaropi, e por herança também ando do mesmo jeito, com os pés para fora).

10408525_10205001044340223_1548625802540081630_nAgora quem vem o grande momento. Meu Sobrinho (que na verdade mais parece meu primo, pois temos praticamente a mesma idade), freqüenta esse tipo de ambiente. E claro que tentou me arrastar para esse lugar várias vezes. Mas teve um dia que ele falou que um grande amor do meu passado freqüentava essa “balada”. E como homem maduro que sou disse para ele:

– DA PROXIMA VEZ QUE ELA ESTIVER POR LÁ ME LIGA ME AVISANDO, NÃO IMPORTA HORARIO DIA E ONDE EU ESTEJA, ME LIGUE NEM QUE FOR ACOBRAR.

Acho que disse isso essas palavras segurando ele pelo colarinho, mas não me lembro muito bem.

Passou algumas semanas, meu telefone toca, vi no identificador de chamadas que era meu sobrinho. Atendi e na verdade era nada mais nada menos que a dita cuja. O safado do meu sobrinho fez ela me ligar do seu telefone. Resumindo, falei que amava sertanejo desde sempre, e por coincidência eu estava indo para lá. Eu estava a duas cidades de distancia, mas acho que cheguei lá em 25 minutos, não tenho certeza.

Chegando lá é claro que ela não me deu a menor atenção. Tentei puxar assunto, percebi que todos dançavam, e ai tentei dançar com ela. Nossa que fracasso foi aquilo. Ritmo e coordenação zero. E claro que fui largado, ele preferiu dançar com o cara de calça jeans apertada e camiseta baby lock apertada, nem vou falar dos belos cabelos que tinha, acredito que ele usava seda ceramidas.

Enfim, eles dançaram muito praticamente a noite toda e foi ai que prometi para mim mesmo que aprenderia a dançar.

Paguei uma amiga para me ensinar, pedi especificamente para me ensinar o sertanejo. Mas ela em sua sabedoria me ensinou outro ritmo, adivinha qual foi? SIM O …. BOLERO, (calma, eu chego na hora do forró). No bolero aprendi a conduzir a dama e dançar dentro do ritmo. Ela foi me mostrando alguns outros ritmos e ai chegamos no forró, e por algum motivo, meu corpo, alma e mente se conectaram aquele estilo. Divertia-me, mesmo errando os tempos e fazendo os giros todos com a força de um jumento.

Mas insistia aprender o sertanejo. Mas eu não tinha grana para ficar bancando essas aulas particulares, logo apelei para vídeo nos youtube uma amiga, a Elaine Eco.1554360_737918472895076_8314046548885701333_n

Passamos muitas madrugadas treinando e vendo vídeos com tutoriais dos giros. Mas nos divertíamos mais com o forró, era incrível, era gostoso, as musicas agradáveis e todo meu corpo parecia gostar daquilo.

Bem chegou hora da prova, consegui levar meu amorzinho platônico no canto da ema, era o momento que eu tinha para mostrar o que aprendi naqueles meses (sim meses, to resumindo, essa historia já ta bem longa).

E quando fui dançar com ela, foi… foi… nossa… foi muito… TERRIVEL… Nossos corpos não se entendiam, nada dava certo, minha condução não rolava. Com a Elaine Eco ornava, já com ela não. E aconteceu algo que mudará tudo em minha vida, ela me largou no meio da pista no meio da musica:

– Chega Tércio, dança com outra por favor.

Tenho que confessar que sou uma pessoa já meio triste, agora ser largado por alguém de quem gosta no meio da pista foi no mínimo cruel a minha pessoa. Foi ai que prometi para mim mesmo que nunca faria isso com ninguém.

Comecei a ir em baladas de forró, e as pessoas me ensinavam, as damas todas compreensíveis, até me chamavam para dançar outras vezes para ver minha evolução.

Foi quando conheci o “Forró dos amigos”, percebi como era feito, e era muito simples, era caixas de som, uma playlist.

936658_805240496162873_676818818945690791_nEu trabalhei como DJ algum tempo atrás, logo eu já tinha todos os brinquedos, caixa de som equipamento, só precisei fazer minha playlist.

Conversei com o Vanderson do forró dos amigos, expliquei que queria fazer algo do gênero no abc, ele desde o começo me deu todo apoio, digno das pessoas do forró.

Bem corri a atrás da prefeitura, vi o melhor local, fiz um esquenta no parque central para testar. E assim nasceu o Pé de Calçada.

O nome veio de uma conversa com um amigo dentro do carro, no qual na conversa eu disse:

– Cara, eu sou um paulistinha urbano tentando dançar forró pé de serra. Sou mais um pé de asfalto, um pé de calçada.

E assim surgiu o nome e o evento no qual vamos tentando fazer o melhor, nunca largando ninguém na pista, e tento representar o lugar acolhedor que Forró pé de serra me mostrou.

Ainda devo muito ao forró, mas deixo aqui meu muito obrigado.

Forró pé de calçada – Tratando de Unir o Povo

Tércio Emo Gomes             </div>
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